Memórias de uma Ex-Fóbica

 

     Ontem fui doar sangue. De novo. Já sou doadora há uns 10 anos. Sempre vou bem direitinho, logo que fecha os 4 meses de espera entre as doações.

     Tá bom, belo gesto, mas e daí?

     Daí que eu sou uma ex-fóbica de agulhas. Sempre desmaiei para tirar sangue. Eu já chegava para fazer as coletas sem ter dormido direito, com o coração saindo pela boca, morta de vergonha e perguntando: dá para fazer deitada? É que eu passo mal.

     Eu tratei a fobia. Hoje não tenho mais nada. NADA. Fico rindo para tirar a foto, (a fotografia ao lado foi tirada ontem).

     E ontem eu fiquei pensando sobre o porquê de doar sangue assim com tanta regularidade.

     Não era porque no inverno menos pessoas doam sangue, só vi a chamada no jornal do meio-dia, e eu já tinha ido doar de manhã.

     Não é por ser a pessoa mais altruísta desse mundo. Claro que eu gosto de ajudar, minha profissão como psicóloga já dá uma pista, mas também não era isso.

Querem saber qual o motivo?

 

     É para provar que eu posso. Para lembrar que eu consegui superar o que me aprisionava. Para mostrar que sou livre para doar meu sangue, se eu quiser. E que agulha nenhuma é mais forte do que eu.

     Depois de anos doando, só agora me dei conta disso: eu gosto de ter uma evidência a cada quatro meses de que hoje sou uma pessoa com menos medos. Diferente.

     Também gosto de confirmar que mudei. Corri atrás. Busquei alternativas. Tratei. Como se faz para mudar qualquer coisa na vida.

     E, finalmente, gosto de sentir na minha própria pele a felicidade de ultrapassar uma barreira que parecia insuperável (quem tem uma fobia sabe do que eu estou falando) e de hoje poder ajudar as pessoas que ainda se sentem assim com o meu trabalho, tratando as fobias.

     Ah, só para relembrar, doe sangue, os bancos de sangue agradecem seu gesto, mas se tiver fobia de agulha, ou sangue, fale comigo!

Daniela Franzen – Psicóloga Clínica, Ex-Fóbica

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